TRADUÇÃO DE NÃO FICÇÃO – FRANCÊS

ORIGINAL

Naître mère… ou le devenir ? Ce que dit la science

Bien que le concept d’ « instinct maternel » ne soit plus utilisé par la plupart des scientifiques, il est encore l’objet de vifs débats. Pour y voir clair, petit aperçu de quelques récentes études sur le lien maternel.

Il y a des femmes qui disent avoir vécu la maternité comme une irrésistible pulsion les prenant aux tripes. Et d’autres, au contraire, qui avouent que, bof, le désir de pouponnage est loin, très loin d’aller de soi. En tout cas, du point de vue philosophique ou scientifique, jusqu’à récemment, la question ne se posait même pas : il semblait évident que la femme était mue par le même « instinct » qui pousse la chatte à défendre ses petits ou la poule à couver ses œufs. Et puis les choses ont évolué… Cette vision « naturaliste », avec tout ce qu’elle implique en termes d’égalité des sexes, a été joliment battue en brèche dans les années 80 par la féministe Élisabeth Badinter1.

Si l’amour maternel était programmé dans les gènes des femmes, il n’y aurait aucun moyen d’y déroger, n’est-ce pas ? Or, le simple fait que des mères abandonnent leurs enfants, ou même les tuent, prouve l’inverse. La démonstration d’ Élisabeth Badinter s’appuie notamment sur le fait qu’aux XVIIe et XVIIIe siècles, les enfants de la noblesse et de la bourgeoisie étaient envoyés en nourrice – ce qui peut s’interpréter comme un « abandon maternel, car une fois remis à la nourrice, les parents se désintéressent du sort de leur enfant ». Bref, le concept d’ « amour maternel » serait davantage une construction sociale qu’un diktat biologique. [...]

Antonio Fischetti, Causette no 37, p. 42.

1 L'Amour en plus, d’Élisabeth Badinter. Éd. Flammarion, 1980.

TRADUÇÃO

Nascer para ser mãe... ou se tornar uma? O que diz a ciência

Embora o conceito de “instinto materno” não seja mais utilizado pela maioria dos cientistas, ele ainda é objeto de calorosos debates. Para entender melhor, pequeno panorama de alguns estudos recentes sobre o laço materno.

Há mulheres que dizem terem vivenciado a maternidade como uma irresistível pulsão que vinha de suas vísceras. E outras, ao contrário, que confessam que, putz, o desejo de paparicar um bebê está longe, muito longe de ser natural. Em todo caso, do ponto de vista filosófico ou científico, até recentemente, nem se levantava a questão: parecia óbvio que a mulher era movida pelo mesmo “instinto” que levava a gata a defender seus filhotes ou a galinha a chocar seus ovos. E depois as coisas evoluíram... Essa visão “naturalista”, com tudo o que ela implica em termos de igualdade dos sexos, foi extremamente malhada nos anos 1980 pela feminista Élisabeth Badinter1.

Se o amor materno estivesse programado nos genes das mulheres, não haveria nenhum jeito de transgredi-lo, não é? Ora, o simples fato de que certas mães abandonam seus filhos – ou mesmo os matam – prova o contrário. A demonstração de Élisabeth Badinter se baseia principalmente no fato de que, nos séculos XVII e XVIII, crianças da nobreza e da burguesia ficavam aos cuidados de amas – o que pode ser interpretado como um “abandono materno, pois, uma vez entregue à ama, os pais perdem o interesse pelo destino do filho”. Em suma, o conceito de “amor materno” seria mais uma construção social do que um ditame biológico. [...]

Antonio Fischetti, Causette no 37, p. 42.

1 BADINTER, Élisabeth. Um Amor Conquistado: o Mito do Amor Materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

© Todos os direitos reservados. Tradução de Stephania Matousek.
Uso exclusivo como exemplos de tradução, sem fins comerciais. Cópia não autorizada.

TRADUÇÃO DE NÃO FICÇÃO – INGLÊS

ORIGINAL

The mystery of monogamy: scientists claim to have the answer

Study shows how monogamy has risen and fallen for different species over 75m years.

As an enduring mystery of the human condition, it has been praised and damned in equal measure. It is a bridge over the abyss of isolation but can be a bit like croquet: easy enough to grasp the rules but a hard game to enjoy.

Now scientists in Britain have taken the puzzle of monogamy and boiled it down to one big question: how did it come about in the first place? A new study claims finally to have an answer. [...]

How males and females come together is as varied as anything in nature. Around 90% of birds live in pairs, but less than 3% of mammals do. Humans and other primates fall somewhere in the middle, with a quarter of species pairing up, according to Christopher Opie, an anthropologist at University College London.

What leads some species to monogamy and others not has prompted scientists to come up with three possible explanations.

One is that when offspring are demanding, two parents might be better than one. The second, known as "mate guarding", proposes that males need to stay close to their mates to ward off rival males. The third is that males stick with females to defend their offspring against the violence of other males, who want to kill existing offspring so that females become fertile again and can be impregnated. [...]

Ian Sample, The Guardian 29th of July 2013.

TRADUÇÃO

O mistério da monogamia: cientistas alegam terem a resposta

Estudo mostra como a monogamia surgiu e decaiu em diferentes espécies ao longo de 75 milhões de anos.

Enquanto eterno mistério da condição humana, ela tem sido louvada e condenada em igual medida. Ela é uma ponte acima do abismo do isolamento, embora possa ser um pouco como o croquet: regras relativamente fáceis de entender, mas um jogo difícil de apreciar.

Recentemente, cientistas na Inglaterra pegaram o quebra-cabeças da monogamia e o fundiram em uma grande questão: como ela surgiu? Um novo estudo alega finalmente ter uma resposta. [...]

A forma como machos e fêmeas se juntam é tão variada quanto qualquer coisa na natureza. Cerca de 90% dos pássaros vivem em casais, mas menos de 3% dos mamíferos o fazem. Os seres humanos e outros primatas se inserem em algum ponto intermediário, com um quarto das espécies formando casais, de acordo com Christopher Opie, antropólogo na University College London.

O que leva algumas espécies à monogamia e outras não incitou cientistas a apresentarem três explicações possíveis.

A primeira é que, quando os filhotes dão trabalho, pode ser melhor ter dois pais, em vez de um só. A segunda, chamada de “defesa do parceiro”, sugere que os machos precisam ficar perto de suas parceiras para evitarem machos rivais. A terceira é que os machos permanecem com as fêmeas para defenderem sua cria da violência de outros machos, que desejam matar filhotes já existentes, de modo que as fêmeas fiquem novamente férteis e possam ser fecundadas. [...]

Ian Sample, The Guardian 29 de julho de 2013.

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TRADUÇÃO DE FICÇÃO – FRANCÊS

ORIGINAL

Je m’en vais, dit Ferrer, je te quitte. Je te laisse tout mais je pars. Et comme les yeux de Suzanne, s’égarant vers le sol, s’arrêtaient sans raison sur une prise électrique, Félix Ferrer abandonna ses clefs sur la console de l’entrée. Puis il boutonna son manteau avant de sortir en refermant doucement la porte du pavillon.

Dehors, sans un regard pour la voiture de Suzanne dont les vitres embuées se taisaient sous les réverbères, Ferrer se mit en marche vers la station Corentin-Celton située à six cents mètres. Vers neuf heures, un premier dimanche soir de janvier, la rame de métro se trouvait à peu près déserte. Ne l’occupaient qu’une dizaine d’hommes solitaires comme Ferrer semblait l’être devenu depuis vingt-cinq minutes. En temps normal il se fût réjoui d’y trouver une cellule vide de banquettes face à face, comme un petit compartiment pour lui seul, ce qui était dans le métro sa figure préférée. Ce soir il n’y pensait même pas, distrait mais moins préoccupé que prévu par la scène qui venait de se jouer avec Suzanne, femme d’un caractère difficile. Ayant envisagé une réaction plus vive, cris entremêlés de menaces et d’insultes graves, il était soulagé mais comme contrarié par ce soulagement même.

Je m’en vais, Jean Echenoz

TRADUÇÃO

Estou indo embora, disse Ferrer, estou terminando com você. Deixo-lhe tudo, mas estou partindo. E, como os olhos de Suzanne, vagando pelo chão, demoravam-se sem razão em uma tomada, Félix Ferrer largou suas chaves em cima do aparador da entrada. Então, abotoou seu casaco antes de sair, fechando devagarzinho a porta de casa.

Lá fora, sem lançar sequer um olhar para o carro de Suzanne, cujos vidros embaçados permaneciam calados sob os postes de iluminação, Ferrer pôs-se a caminhar em direção à estação Corentin-Celton, situada a seiscentos metros. Por volta de nove horas, em um primeiro domingo à noite de janeiro, a composição do metrô encontrava-se praticamente deserta. Ocupavam-na apenas uma dúzia de homens solitários, assim como Ferrer parecia ter-se tornado havia vinte e cinco minutos. Em tempos normais, ele ter-se-ia alegrado ao encontrar um cubículo vazio de assentos face a face, como um pequeno compartimento só para ele, o que era, no metrô, sua configuração preferida. Naquela noite, ele nem estava pensando nisso, distraído, mas menos preocupado do que previra por causa da cena que acabara de se representar com Suzanne, mulher de gênio difícil. Tendo imaginado uma reação mais calorosa, gritos misturados com ameaças e insultos graves, ele estava aliviado, mas como contrariado por esse próprio alívio.

Estou indo embora, Jean Echenoz

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TRADUÇÃO DE FICÇÃO – INGLÊS

ORIGINAL

I am a rather elderly man. The nature of my avocations for the last thirty years has brought me into more than ordinary contact with what would seem an interesting and somewhat singular set of men, of whom, as yet, nothing that I know of has ever been written – I mean the law-copyists, or scriveners. I have known very many of them, professionally and privately, and, if I pleased, could relate divers histories at which good-natured gentlemen might smile and sentimental souls might weep. But I waive the biographies of all other scriveners for a few passages in the life of Bartleby, who was a scrivener, the strangest I ever saw or heard of. While of other law-copyists I might write the complete life, of Bartleby nothing of that sort can be done. I believe that no materials exist for a full and satisfactory biography of this man. It is an irreparable loss to literature. Bartleby was one of those beings of whom nothing is ascertainable except from the original sources, and, in his case, those are very small. What my own astonished eyes saw of Bartleby, that is all I know of him, except, indeed, one vague report, which will appear in the sequel.

Bartleby the Scrivener, Herman Melville

TRADUÇÃO

Eu sou um homem de certa idade. A natureza das minhas ocupações nos últimos trinta anos pôs-me em íntimo contato com o que seria considerado como um conjunto interessante e um tanto quanto singular de homens, sobre os quais, até agora, que eu saiba, nada nunca foi escrito – refiro-me aos copistas jurídicos ou escrivães. Eu conheci inúmeros deles, em minha vida profissional e privada, e, se eu quisesse, poderia contar diversas estórias que fariam cavalheiros de boa índole sorrirem e almas sentimentais chorarem. Contudo, eu abdicaria das biografias de todos os outros escrivães por apenas alguns trechos da vida de Bartleby, escrivão de profissão, o mais estranho que já vi ou de quem já ouvi falar. Eu seria capaz de escrever sobre a vida inteira de outros copistas jurídicos, mas nada do gênero poderia ser feito sobre a de Bartleby. Creio que não exista nenhum material que permita tecer uma biografia completa e satisfatória desse homem. É uma perda irreparável para a literatura. Bartleby era um daqueles indivíduos a respeito dos quais nada podia ser averiguado, a não ser diretamente nas fontes, e, em seu caso, elas eram muito escassas. O que os meus próprios olhos atônitos viram de Bartleby – e somente isto – é tudo o que eu sei dele, exceto, na verdade, um vago rumor, que será narrado mais à frente.

Bartleby, o Escrivão, Herman Melville

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